No passado dia 4 de setembro disputou-se a 1ª eliminatória da Taça de Portugal 16/17, entre 80 clubes do Campeonato de Portugal Prio, terceiro escalão, e 38 dos distritais. Para todos, um sonho comum: defrontar um clube da Liga NOS. Na 3ª eliminatória, a disputar neste fim-de-semana, está um sobrevivente dos distritais, o Santa Iria, e o sorteio destinou-lhe o Vitória de Guimarães como adversário.

O clube de Santa Iria da Azóia, concelho de Loures, é assim o representante do Portugal profundo, futebolisticamente falando, na prova rainha do calendário nacional e, como as hipóteses de apuramento são reduzidas, resta aos habitantes viverem um dia diferente, um dia de festa. Infelizmente, para as gentes locais, o jogo não pode disputar-se no Campo Tomaz Reynolds, por falta de condições. Assim, terão de deslocar-se a Sacavém, a 7 km, para a festa no campo do Sacavenense, com lotação para 3 mil espectadores.

Orgulho local

Para um clube dos distritais que consegue defrontar um dos grandes, esse dia passa a fazer parte da sua história. Basta lembrar a deslocação do Alba a Alvalade, em 2013. Milhares de habitantes de Albergaria-a-Velha, e arredores, invadiram a casa do Sporting e o golo – na altura o 6-1 – foi festejado como se fosse o da vitória (8-1 no final).

O mais provável é dois dos maiores clubes disputarem a final da Taça, mas já aconteceram exceções. V. Setúbal (duas vezes), Estoril, Farense e Chaves chegaram ao Jamor quando estavam na 2ª Liga, nenhum venceu a final. Maior feito conseguiu o Leixões, em 2002, quando disputava a 2.ª B (terceiro escalão) e chegou ao jogo decisivo, perdendo 1-0 com o Sporting.

Este fim-de-semana, uma equipa dos distritais e muitas do Campeonato de Portugal entram em campo a sonhar com a final. Nenhuma deverá lá chegar. Mas vão fazer a ‘festa da Taça’.


Autor: Miguel Amaro