O limbo de Carrillo

A suada vitória do Benfica no Estoril, diante do 1.º Dezembro, apenas veio confirmar que Carrillo está ainda bem longe das exibições que o notabilizaram como um dos extremos com maior capacidade de desequilibrar no nosso campeonato. Após 45 minutos sem brilho do peruano – seria substituído ao intervalo – as vozes de descontentamento multiplicaram-se. Mas será assim tão surpreendente este ‘apagão’ do benfiquista? Não creio.

Ponto prévio: Carrillo tem tanto de talentoso como de irregular. Provou-o nas cinco épocas que passou em Alvalade, onde desde cedo foi utilizado com regularidade, e mostrou que é essencialmente um jogador de picos de forma. Ora, se assim o era, tudo se agrava quando fica praticamente um ano arredado dos relvados, de fora dos planos de Jorge Jesus, no Sporting, e de Ricardo Gareca, na seleção peruana.

Na Luz, Rui Vitória percebeu que o peruano não podia portanto ser opção imediata e promoveu uma gestão criteriosa e acertada, que conheceu no jogo da Taça de Portugal o seu primeiro erro. É certo que a exibição do extremo estava furos abaixo do que o técnico pretenderia, mas se havia partida em que Carrillo podia – e devia -, por fim, somar o primeiro jogo completo era precisamente esse.

Isto porque, daqui para a frente, a dificuldade competitiva vai aumentar e o espaço do extremo vai apertar. Nessa altura, Rui Vitória terá que tomar uma decisão: ou arrisca na sua titularidade, na expectativa de acertar num desses picos de forma, ou ‘corta’ a sua utilização, que num plantel com tão elevado número de opções para as alas seria o assinar da sua sentença. Até final da primeira volta do campeonato se perceberá para que opção inclina a balança do técnico do Benfica, mas Carrillo sabe que o seu tempo… não estica.

16.10.2016
M M