Nuno Espírito Santo e o Dragão

Vítor Pereira, o último treinador campeão pelo FC Porto, pedia "comportamentos de qualidade" aos seus jogadores. Paulo Fonseca, o último treinador a vencer um título (Supertaça) para os dragões, levava sempre com ele uma "confiança cega" na conquista do campeonato nacional e, consequentemente, no seu grupo de trabalho também. Mais recentemente, Julen Lopetegui, o último treinador dos azuis e brancos a chegar aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, incutia no plantel a "clara intenção de ser protagonista."

Cada um dos últimos treinadores dos azuis e brancos tinha uma mensagem pré-formatada, que usava a cada conferência de imprensa, sempre direcionada (e bem) aos jogadores. Com Nuno Espírito Santo o alvo da "mensagem repetitiva" passou a ser outro, no caso os adeptos portistas.

"Queremos que o Dragão seja uma fortaleza e é determinante para nós sentir o seu apoio."

Nuno parece, por vezes, que quer ser o treinador dos adeptos e não é isso que se pretende dele. Embora saiba como poucos que os adeptos estão com a equipa "a ganhar ou a perder", conforme canta a música dos Super Dragões, Nuno insiste no pedido de "colinho" à plateia, numa altura em que os portistas de bancada já duvidam das palavras e querem, isso sim, ver ações nas quatro linhas de jogo, que devolvam o clube aos altos patamares de um passado ainda não muito longínquo.

Enquanto jogador do FC Porto, Nuno seguramente percebeu que era com o que a equipa produzia em campo, com a atitude e raça que colocava em cada lance, que se conquistava a plateia. O apoio surgia então com naturalidade, sempre que fosse necessário e sem necessidade de apelos públicos…

Tendo em vista a pálida imagem deixada pelos dragões nos dois últimos jogos, frente ao Copenhaga e ao Tondela, parece-me que chegou a hora de o treinador mudar radicalmente o seu discurso e começar a colocar o foco das suas mensagens nos jogadores. Afinal de contas, quer se queira quer não, são eles que vão marcar os golos, recuperar a bola e defendê-la também.

Enquanto criador do slogan "Somos Porto", na qualidade de capitão de equipa, Nuno Espírito Santo falou em nome de um grupo que se sentia vítima do "sistema" e isso marcou um ponto de viragem, já que, nos anos seguintes, o clube somou mais um tricampeonato ao seu currículo, além de outras conquistas, como por exemplo a Liga Europa. E fê-lo em jeito de grito de revolta dos jogadores, não com aqueles que surgem da bancada…

23.09.2016
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