Por muito que sejam nas alas que vivam alguns dos maiores talentos do futebol atual ou que é no eixo do ataque que se posicionam os principais goleadores, é pelos centro-campistas que nutro especial admiração.
Excetuando o trabalho nas alas, que é confundível com o de um extremo, no miolo de uma equipa há três posições: a de trinco (da qual já falei anteriormente), a de “box-to-box” e a de organizador, a que muitas vezes na gíria se atribui respetivamente os números 6, 8 e 10.
No futebol atual, há excelentes intérpretes para todas as elas e que têm funções que se diferem ligeiramente. Por exemplo, no Barcelona, devido à equipa ter a bola durante tanto tempo, mal dá para ver que Xavi, no fundo, é um “8”, ainda que passe grande parte do encontro apenas no meio-campo contrário, até mesmo junto à área adversária.
Já aqui neste blogue destaquei a inteligência de Busquets, mas posso também falar da presença física e agressividade de um Javi García, da qualidade de passe de Pirlo, Modric ou Xabi Alonso, da rotatividade de homens como João Moutinho e Paul Scholes, da visão de jogo de Aimar, da criatividade de Özil, da forma como Witsel se libertava da sua posição mais recuada (no Benfica) para aparecer em zonas decisivas, no entanto, a maioria destes craques que referi possuem essencialmente a característica que lhes apontei e pouco das outras que atribui aos outros jogadores.
Mas existe um centro-campista a quem reconheço, ainda que salvo as devidas proporções, todos esses pormenores técnicos, físicos e táticos: chama-se Yaya Touré, é costa-marfinense e joga no Manchester City.
Não é o médio mais popular do mundo, mas é inteligente, elegante, agressivo, forte fisicamente, possante, rápido a agir e a conduzir a bola (contrariando a primeira ideia, quando olhamos para o seu robusto corpo) e criativo, todos estes adjetivos com um “muito” a anteceder-lhes.
No Barcelona, contra o seu gosto, jogava a trinco (ía rodando na posição com Busquets), e tinha tudo para ser um dos melhores na sua posição, já que é uma presença física intimidante e agressiva, é forte tacticamente e tecnicamente podia sair a jogar como poucos o fazem nesse setor.
Nos “citizens”, embora jogue várias vezes a “10”, onde consegue ser um apoio precioso para quem quer que seja o ponta-de-lança, dando dinâmica ao ataque e ao mesmo tempo a tal presença física e ainda capacidade de drible e remate, é como “8” que joga habitualmente.
Quando joga aí, algo que acontece praticamente sempre, a sua relevância é tal que consigo distinguir dois tipos de Manchester City, um a praticar um futebol lento, sem capacidade para penetrar as defesas contrárias, com muitos passes mas com poucas situações de perigo, que é quando está preso tacticamente ao duplo “pivot”, ou então, um conjunto orientado por Roberto Mancini com muita acutilância ofensiva (chegando a ser sufocante nesse capítulo), criatividade, dinamismo, e uma maior facilidade em entrar na área contrária, que coincide quando Yaya Touré se consegue libertar da sua posição e apoiar devidamente o ataque.
Para mim, não há dúvidas, é mesmo o médio mais completo da atualidade.
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