O orçamento do estado das ditatoriais TV

Recentemente, o anúncio de que o jogo entre o Barcelona e o Real Madrid teria o pontapé de saída às 16h30 (locais) levantou uma onda de protestos em todo o Reino Unido. Porquê? Porque a essa hora estão proibidas as transmissões televisivas de jogos de outros campeonatos e, por isso, ninguém poderia assistir em directo ao clássico espanhol.

É uma decisão difícil de engolir para quem gosta de futebol mas é uma medida lógica tendo em conta aquilo que em Inglaterra as TV pagam aos clubes pelos direitos de transmissão dos encontros da Premier. Ao todo, para o triénio que de 2016/17 a 2018/19, os clubes vão receber um total de 5.136 biliões de libras (não me peçam para transformar isto em euros que matemática não é o meu forte). Só a Sky sports vai pagar por 5 pacotes de 126 jogos ‘live’ a bonita soma de 4.2 biliões de libras!

Mais, os jogos mais caros são os que se disputam ao sábado, custando o do meio dia e meia 11.1 milhões e o das 17h30 algo menos, apenas 10.62 milhões. Cada clube pode ter um máximo de 5 e pelo menos um jogo transmitidos nestes horários. A distribuição das libras é feita de modo a não deixar nenhum clube descontente, assim: 50% do ‘bolo’ é dividido em fatias iguais pelos 20 emblemas; 25% é distribuído de acordo com a classificação final; os restantes 25% vão para os clubes que mais transmissões foram efectuadas, à razão de 750.000 libras por jogo. Para se ter uma ideia, o campeão Leicester recebeu 93 milhões de libras; o Aston Villa, último classificado, 9.5 milhões; e o Manchester United, só de prémios pelos 25 directos que foram realizados, encaixou 18.7 milhões.

Bem podem por consequência estrebuchar os adeptos ingleses por não verem em directo o clássico espanhol e o duelo Messi-Ronaldo, mas a ditadura das TV vai manter-se.

17.10.2016
M M