Voz de comando SEM FERNANDO COUTO, FIGO E RUI COSTA, SELECÇÃO NACIONAL FICOU ''ORFÃ''
Scolari aprendeu, por força da adversidade que marcou a selecção do Brasil nas vésperas do arranque do Mundial'2002, com o afastamento por lesão do capitão Edmilson, a assumir também essa faceta da liderança de um grupo de trabalho tão especial como são sempre as selecções nacionais. Deu-se bem e gostou. E por isso decidiu tentar implementar em Portugal o mesmo sistema.
Mas ainda não conseguiu. E isso porque a Selecção Nacional nunca soube viver sem uma voz de comando dentro do campo. Um jogador que, como Fernando Couto, ou mesmo Luís Figo e/ou Rui Costa, seja capaz de fazer prevalecer o saber acumulado, a experiência competitiva, que relembre à equipa, principalmente em momentos de desorientação, as ordens do seleccionador sem dogmas.
Acima de tudo, que tenha bom senso e saiba fazer a defesa do grupo com firmeza e alguma dose de diplomacia. Não é necessário, nem sequer saudável, que o capitão seja "capacho" do seleccionador, um bajulador a dizer "ámen" a tudo o que vem de cima ou, pior ainda, que seja mais "papista que o papa". É preciso que tenha voz de comando. E que ela seja reconhecida pelos colegas!
Não houve transição. E isso parece não existir neste momento na Selecção Nacional, que precisa encontrar rapidamente substitutos para aqueles que saíram, não tanto em termos desportivos mas ao nível deste tipo de liderança. É certo que Scolari, depois do Europeu, se viu "obrigado" a tomar uma decisão e fez a sua escolha.
Com ela percebeu-se que Couto deixava, de forma quase definitiva, de fazer parte dos planos do seleccionador, não só enquanto capitão mas também como mero jogador, o que, aliás, não surpreende depois das opções feitas no Europeu.
A transição de gerações dentro do grupo em termos desportivos está a ser feita sem problemas, mas a este nível não foi conseguida. Não houve tempo para a fazer com naturalidade e os nomes impostos ainda não foram "digeridos" pelo grupo.
Só assim se compreende como vem um dos actuais capitães, Costinha, reconhecer como correcta a ideia deixada há dias por Petit, de que "os capitães só servem para escolher o campo"...
Autor: CÉU FREITAS Data:
Quarta-Feira, 13 Outubro de 2004 - 0:33
• 10:25 -
Maria Almeida
Falta classe a esta equipa. Com Figo, Couto e Rui Costa, mesmo sem jogarem o jogo todo, seria impensável aquele jogo de sábado... Faltam as grandes referências, o profissionalismo, o espírito competitivo. Apesar disso, penso que o Costinha é que mais se parece com isso. Figo é também imprescindivel por estes motivos.