Record - Carvalhal é boa solução para o Sporting?
Paulo Bento - Não tenho que achar ou deixar de achar se é a melhor solução. O que posso dizer é que é um treinador que já tem experiência de primeira divisão, que já ganhou uma competição com o V. Setúbal e à custa do Sporting, foi finalista da Taça de Portugal, disputou a Supertaça e fez um trabalho extraordinário em Setúbal e em Matosinhos com o Leixões. É um treinador em que se vê que as suas equipas têm identidade, que tem agora a oportunidade num clube grande, e que me parece uma oportunidade justa. Não é alguém com quem tenha grande contacto, mas a quem reconheço competência e em quem vejo condições para treinar o Sporting. Aliás, aproveito para dizer que lhe desejo desde já a maior sorte do Mundo.
R - Ele já falou consigo, ou está pelo menos disponível para falar com ele?
PB - Não falou comigo, mas logicamente que estarei disponível para falar com Carvalhal sobre aquilo que ele precisar ou entender.
SABIA QUE SÁ PINTO VOLTARIA NO DIA EM QUE SAÍSSE
R - Foi o treinador que dispensou Sá Pinto quando ele desejava continuar a jogar no Sporting. Tinha a certeza que no dia em que saísse ele estaria de volta?
PB - Acho que era uma coisa mais ou menos certa. Em relação à questão da dispensa, é preciso esclarecer que não fui eu que andei durante o ano todo a dizer que ia terminar a carreira. Depois eu tinha que tomar uma decisão. E a que tomei foi de não continuar a contar com ele como jogador. Agora este regresso não me surpreende. Era uma questão de tempo. Logicamente enquanto estivessem estas pessoas na estrutura do futebol, ou pelo menos enquanto eu estivesse na estrutura do futebol, não trabalharia comigo. Agora saindo esta estrutura parecia-me claramente que era ele quem ia entrar.
R - Mas Sá Pinto não trabalharia no futebol por sua vontade...
PB - Por minha vontade. Acredito que pela dele também, mas por minha vontade seguramente.
R - Tem a ver com esse ano?
PB - Tem a ver com questões de confiança. Gosto de trabalhar com certas e determinadas pessoas e não me via de forma alguma a trabalhar com o Sá Pinto. E acho que ele não se via a trabalhar comigo.
R - E a entrada dele?
PB - Acho que era uma questão de tempo. Para mim não foi uma surpresa e tendo em conta o que se passa no Sporting, acho-a perfeitamente natural. Quando terminasse esta estrutura que saiu, ele estaria dentro. Aliás, ele já trabalhava lá dentro. Penso que sendo uma pessoa que estava nas relações externas, de certa forma já trabalhava internamente. Até porque entendo que agora o Carlos Carvalhal foi uma decisão mais do presidente, enquanto a primeira opção me parecia mais de quem entrou, neste caso do Sá Pinto, do que propriamente de José Eduardo Bettencourt. E quando digo que era uma questão de tempo, digo-o porque as coisas estavam de alguma forma já a ser preparadas para que assim fosse. Se influiu alguma coisa no meu trabalho, sinceramente não. Mas que me parecia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde, porque isso estava dependente da queda desta estrutura, parece-me uma situação perfeitamente normal para o universo sportinguista, não todo, mas para uma certa parte do universo sportinguista.
R - Está a dizer que internamente havia pessoas que estavam à espera que as coisas corressem mal para ter a sua oportunidade?
PB - Não sei se estavam à espera que as coisas corressem mal. Eu acho é que o cenário que foi criado, essas pessoas que criaram o tal cenário de que falei no início da entrevista, seguramente não estavam à espera de que as coisas corressem bem. Disso tenho a certeza absoluta. Basta ouvir algumas declarações, por exemplo há bem pouco tempo as do próprio Sá, quando confrontado com a situação do treinador e uma das respostas foi: ainda não estou nesse cargo. Ou seja, se diz ainda não estou, seguramente, é porque sabia que lá chegaria. Não é uma situação que possa causar grande surpresa, ou se preferir, a mim não me causou surpresa nenhuma.
[CONTINUA]