A Faculdade de Desporto da Universidade do Porto endureceu ontem a sua posição no caso da cedência do professor José António Silva à equipa de andebol do Benfica.
Num comunicado assinado pelo presidente do conselho diretivo, Jorge Olímpio Bento, admite-se que José António Silva deixe a instituição de ensino para treinar o Benfica, mas só a título definitivo, isto é, se rescindir o contrato.
"A faculdade não coloca quaisquer entraves à saída do docente em causa. Basta que ele peça a rescisão do contrato; o pedido será imediatamente deferido", pode ler-se no comunicado.
Dado novo
O que motivou a nova atitude de Olímpio Bento foi a intervenção de Sílvio Cervan, dirigente do Benfica, no programa "O Dia Seguinte", da SIC Notícias, onde este terá estabelecido uma relação causal entre o conflito e a morte súbita da mãe de José António Silva.
"Face aos termos utilizados (...), esta faculdade declara-se indisponível para discutir a cedência de um docente, visando treinar a equipa profissional de andebol" do Benfica, acrescenta o comunicado.
Até aqui, o reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos, procurara mediar a negociação da cedência, por um ano, de José António Silva ao andebol do Benfica, que Olímpio Bento não quis formalizar enquanto não visse satisfeitas algumas exigências, nomeadamente o pagamento integral de um ano de vencimentos, segundo prevê a lei, e ainda um pedido formal de desculpas do Benfica por se considerar ofendido durante o processo.
A razão que é azul e branca
O motivo mais remoto da grande tensão que existe entre Benfica e Olímpio Bento tem um nome: FCPorto. Natural de Bragança, o presidente da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto é, aos 63 anos, um adepto portista assumido e foi cultivando a imagem de adversário do Benfica através de textos semanalmente publicados num diário desportivo.
Da parte do clube da Luz existe o entendimento que as razões para o travão que Olímpio Bento sempre pôs no processo de cedência de José António Silva são azuis e brancas. Daí os dirigentes do Benfica terem escolhido o reitor da Universidade, Marques dos Santos, para interlocutor, por acharem que um acordo com o presidente do conselho diretivo é impossível.
Benfica sem reação
O Benfica, segundo Record apurou, não vai reagir à mais recente posição do presidente do conselho diretivo da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, porque confia poder resolver o assunto diretamente com a intervenção do reitor, Marques dos Santos.
Os contactos entre representantes do clube da Luz e Marques dos Santos têm-se sucedido, mas, embora tenha havido um acordo de princípio, a oposição frontal de Jorge Olímpio Bento impediu que se tivesse avançado na formalização de um protocolo entre Benfica e Faculdade. Em entrevista a Record, na terça-feira, Olímpio Bento reafirmou a ausência de acordo e fez depender a aprovação do protocolo de um parecer favorável de todo o conselho diretivo.
Agora, a bola está definitivamente nas mãos do reitor, que ontem não teve tempo para responder a Record por estar em reunião.