Foi eleito 'rookie do ano' na temporada passada, que é como quem diz: melhor estreante da época 2015. Aos 22 anos, e no segundo ano entre a elite do surf mundial, o brasileiro Ítalo Ferreira está no 8.º lugar do ranking. Na véspera do arranque de mais uma etapa de qualificação em Cascais, Record esteve à conversa com o jovem da Baía Formosa.

Alguns dos melhores surfistas do mundo já estão por cá e chegar à fala com Ítalo é sempre um prazer, seja pela simplicidade que define o jovem oriundo de uma pequena vila de pescadores brasileira, seja porque nos confessa que se sente sempre em casa em Portugal. "Voltar é sempre muito bom. Tive bons momentos aqui, dos melhores que tive até hoje. Portugal é especial para mim, vivi momentos incríveis. Tenho um carinho enorme pelas pessoas, pelos lugares!", começa por dizer.

Chegou a Portugal na terça-feira e desde então os dias foram passados a treinar nas ondas portuguesas, até porque esta sexta arranca o Billabong Pro Cascais, um Mundial de qualificação que vale 10 mil pontos ao vencedor da prova. "Esta é uma onda boa, mas ao mesmo tempo muito difícil, é muito rápida, mas eu tive alguns dias para treinar e testar todas as minhas pranchas", diz. Para este evento, o surfista confessa estar confiante: "As minhas expectativas são as melhores. Tenho bons momentos aqui, mas nunca venci. Gostaria de vencer, vou correr atrás disso."

Parte da confiança de Ítalo provém dos bons resultados que já tirou em Portugal. Recorde-se o mundial projúnior em 2014, na Ericeira, onde ficou em segundo lugar, apenas atrás de Vasco Ribeiro. Dias antes tinha chegado aos quartos de final, tanto do Cascais Billabong Pro como do Sata Azores Pro. E foram estas pontuações que o ajudaram a garantir um lugar entre a elite do surf mundial com apenas 20 anos.

Mais recentemente, na etapa do mundial de Peniche do ano passado, chegou à final. Só o compatriota Filipe Toledo lhe deitou por terra o sonho de vencer a etapa. "No ano passado tive um ótimo resultado lá, foi a minha primeira final no circuito mundial, não venci mas foi por pouco. Quero vencer esse ano e vou batalhar bastante!", afirma.

Atualmente na 8.ª posição do ranking, Ítalo confessa que podia estar melhor posicionado. No início da temporada alcançou mesmo duas semi-finais, em Bells Beach e Margaret River, na Austrália. "Comecei muito bem o ano, cheguei a estar na segunda posição do ranking, depois tive resultados menos bons, fui caindo... Mas agora estou com muita fome de buscar um bom resultado, tenho esperança nesta perna europeia do campeonato", diz. Até ao final de 2016, o objetivo de Ítalo é subir no ranking e terminar entre os top 5. Até porque, depois de dois anos com dois campeões do mundo brasileiros – Gabriel Medina e Adriano de Souza – é claro que os nosso 'povo irmão' tem muito a dizer no mundo do surf.


Autor: Patrícia Tadeia