É certo que o Campeonato do Mundo do Qatar foi um pouco atípico pelas particulares condições climatéricas, vento e sobretudo calor, mas não é menos verdade que mostrou uma Seleção Nacional vulnerável e pouco preparada para enfrentar não só estas adversidades como o percurso demasiado plano.

Os resultados dos últimos anos colocaram o nosso país em posição de poder estar na discussão das vitórias, ainda que elas para já se resumam ao título de Rui Costa em Florença’2013. Mas há muitas classificações entre os dez primeiros, seja nas provas em linha, seja nos contrarrelógios, que fizeram com que os ciclistas nacionais passassem a ser respeitados pelos adversários.

As características da grande maioria dos ciclistas nacionais que correm no estrangeiro fazem deles corredores para provas mais duras, mais seletivas, não existindo essas soluções para outro tipo de traçados, designadamente para uma discussão ao sprint, como aquela que aconteceu no Qatar. A solução pelos vistos, de acordo com o selecionador nacional, não passa por ‘recrutar’ ao pelotão nacional. Se os ‘estrangeiros’ pecam por não serem velocistas; os que correm no pelotão português pecam por não terem ritmo competitivo, experiência. E entre uns e outros é sempre melhor levar os que correm a época toda, os primeiros... Mas não basta que tenham quilómetros nas pernas, não basta os anos de experiência internacional. Para se correr nas condições que se correu no Qatar é preciso muito mais. É preciso outro tipo de trabalho.

O que aconteceu no Médio Oriente – desistência dos três ciclistas na prova em linha dos elites - não é para alarmar, nem perto disso, mas é para levar em conta, para refletir. E agora mais do que nunca com a entrada, ou antes, reentrada, em cena do espanhol José Luís Algarra, técnico que regressa ao ciclismo português, depois de uma primeira experiência de dez anos entre 1996 e 2006.


Autores: Ana Paula Marques. Doha. Qatar