Nelson Évora deixou de ser orientado por João Ganço, o seu técnico de sempre, que o acompanhou nos últimos 25 anos.

Os motivos não são ainda conhecidos, mas ao que Record conseguiu apurar havia um certo desgaste na relação ao longo da última temporada em consequência de pontos de vista diferentes.

Tanto o atleta como o treinador continuam a respeitar-se e a manter uma longa amizade, mas a separação acabou por ser inevitável. Para tal, também terá contribuído uma época mais discreta do que é habitual por parte do atleta do Benfica, uma das figuras mais mediáticas do Projeto Olímpico.


O fim da ligação entre Nelson Évora e João Ganço deu-se a seguir aos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, onde o campeão olímpico e mundial terminou em sexto lugar, numa prova em que cumpriu os objetivos.

Nessa altura, Nelson Évora disse que tinha valido a pena o esforço, mas ficou com um amargo de boca por ter ficado a 55 centímetros da medalha de bronze, ganha pelo chinês Dong Bin. Nas circunstâncias em que competiu Nelson Évora, dificilmente poderia ter obtido um lugar no pódio.

Os acertos técnicos e os ajustes na preparação não resultaram. A época de 2016 não teve a mesma consistência e após o Rio de Janeiro tanto o treinador como o atleta optaram por uma separação técnica, em função do desgaste de uma relação que durava há 25 anos, desde que João Ganço passou a orientar Nelson, ainda bastante jovem, pois eram vizinhos em Odivelas.

Os elogios repartiram-se nos muitos momentos de sucesso, a partir da altura em que Nelson começou a ganhar protagonismo com sucessivas idas ao pódio nas grandes competições. "A mentalidade forte que o Nelson possui faz dele um campeão", disse João Ganço quando o seu pupilo foi campeão olímpico. Nesse dia, Nelson Évora não esqueceu o seu treinador: "Somos só um! Se ele não estivesse ali, nada disto teria sucedido". Agora é tudo diferente. *

Autor: Norberto Santos