O britânico Mo Farah é um dos nomes mais sonantes de uma nova lista de atletas que recorreram a substâncias proibidas para uso terapêutico, revelada esta segunda-feira pelo grupo 'hacker' russo 'Fancy Bears'.

Os piratas informáticos russos, que acederam ilegalmente à base de dados do sistema de administração e gestão antidopagem (ADAMS) da Agência Mundial Antidopagem (AMA), criado para seguir os controlos feitos aos atletas, revelaram mais 25 nomes de atletas, oriundos de oito países, que usaram substâncias dopantes para uso terapêutico, entre os quais Mo Farah e Nadal.

No caso de Mo Farah, quatro vezes campeão olímpico (nos 5.000 e 10.000 metros), as autorizações remontam a outubro de 2008 e julho de 2014 e dizem respeito ao corticosteroide triancinolona e a morfina.


A 13 de setembro, a AMA informou que um grupo de piratas informáticos russo, conhecido como 'Fancy Bears' ou 'Tsar Team', acedeu ilegalmente à base de dados do sistema de administração e gestão antidopagem (ADAMS) da agência, criado para seguir os controlos feitos aos atletas.

O ataque informático, que levou já o ministro russo dos Desportos, Vitaly Mutko, a negar qualquer envolvimento do seu governo, terá sido feito através de uma conta do Comité Olímpico Internacional (COI), criada a propósito dos Jogos Rio2016.

O grupo acedeu a informação de desportistas, incluindo a dados médicos confidenciais, tais como isenções por uso terapêutico de medicamentos nos Jogos do Rio2016 autorizadas por federações internacionais e organizações nacionais antidopagem, de acordo com a AMA.

Da primeira lista de nomes constavam campeãs olímpicas dos Estados Unidos, como as tenistas Serena e Venus Williams e a ginasta Simone Biles, com a segunda a visar atletas britânicos, como Chris Froome ou Bradley Wiggins, e a terceira a incluir a estrela maior da natação espanhola, Mireia Belmonte.

Após compilar dados, e de acordo com o diretor geral da AMA, Olivier Niggli, o organismo não tem dúvidas de que os ataques em curso constituem uma forma de retaliação contra a agência e o sistema antidopagem mundial devido ao relatório McLaren, divulgado a 18 de julho, que revelou a existência de um esquema de 'doping' patrocinado por Moscovo.

A isenção de uso terapêutico (TUE) existe para permitir a atletas com problemas médicos reconhecidos, como a asma no caso do ciclista campeão olímpico Bradley Wiggins, e a hiperatividade no da ginasta multimedalhada no Rio2016 Simone Biles, poderem tomar substâncias proibidas para competir ao mais alto nível.

Autor: Lusa