Durante o mês de julho, as queixas sobre a falta de apoio às modalidades amadoras em Portugal tiveram tempo de antena. A cada cobrança por medalhas nos Jogos Olímpicos, os atletas aproveitaram a atenção mediática, que raras vezes têm, para alertar para a realidade em que têm de trabalhar.

Com a nova época desportiva a começar, mais um exemplo emerge, desta vez no andebol feminino. É a situação de Ana Andrade, internacional A e campeã nacional pelo Madeira SAD. Apesar de ser uma das melhores executantes da modalidade, a atleta natural de S. João da Madeira está, neste momento, sem clube. E o mais provável é que não possa defender em campo, o título de ‘Melhor Jogadora’, que lhe foi atribuído na época passada.

Este cenário não se justifica por falta de propostas para a atleta de 28 anos. Todas as principais equipas do campeonato demonstraram interesse em contar com Ana Andrade. O problema é que a atleta, que concluiu o curso de Enfermagem há cerca de um ano, está a fazer um estágio profissional que, até abril, a obriga a trabalhar aos fins de semana. "Neste momento, a única forma de deixar o estágio é arranjar um contrato de trabalho, que me permita fazer trocas de turnos para poder jogar", revelou a Record.


Obrigada a optar entre a profissão para a qual estudou – o desejo de concluir o curso fez com que, em anos anteriores, recusasse algumas propostas do estrangeiro –, Ana Andrade sente-se sem saída: "Apesar de ser algo que adoro fazer, sei que o andebol não me vai meter pão na mesa", confessa, lamentando que, "por não ter alternativa", tenha de abdicar da modalidade à qual se dedicou nos últimos 14 anos.

Sem solução

"É claro que queria continuar a jogar, mas neste momento não tenho outra solução. Está muita coisa em jogo e não posso arriscar. Se eu abandonasse o estágio ia ter muitos prejuízos, por isso, por muito que eu goste de jogar andebol, não o posso fazer", lamentou Ana Andrade.

Autores: A.E.