R - Nesta mudança de ano as coisas não têm corrido bem. É neste jogo com o Rio Ave que tudo vai voltar ao normal?
M - Espero que sim. A intenção é essa. Não terminámos o ano como queríamos e não começámos o novo ano da melhor forma.
R - E levaram um grande puxão de orelhas do treinador nesse jogo…
M - Não estava lá mas sei que o treinador chamou a atenção da equipa. E foi importante que isso tenha acontecido, para ver se acordavam um pouco.
R - O que acha que aconteceu? Como jogador experiente, acha que, como se costuma dizer, a equipa descansou à sombra da bananeira, depois dos resultados iniciais?
M - A verdade é que ninguém esperava começar o campeonato como começámos. As coisas estavam a correr bem, o nome do Olhanense foi destacado, começaram a falar do interesse de clubes nos jogadores do Olhanense, e acredito que alguns deles talvez tenham pensado que em Janeiro podiam ir embora…
R - E tiraram o pé do acelerador, foi isso?
M - Não digo isso, mas fugiram um pouco do que vinham fazendo pela equipa. Com o aproximar de janeiro e da reabertura do mercado de transferências, alguns pensaram que podiam ir embora, e o que aconteceu foi que, até agora, só o Vinicius saiu.
R - Sente que a participação do Olhanense em provas como a Taça da Liga ou a Taça de Portugal pode complicar os objetivos no campeonato?
M - Claro que é complicado, porque este mês temos 7 ou talvez 8 jogos, se eliminarmos o Benfica da Taça. Para um plantel como o nosso, que é curto, e ainda por cima com o problema das lesões, fica difícil o trabalho do treinador. É claro que, estando só numa prova, seria melhor para nós, porque podíamos preparar-nos melhor. Assim, até ao fim do mês, vamos ter de jogar ao domingo e à quarta-feira.
R - Mas isso não é bom, jogar duas vezes por semana?
M - Claro que sim. É melhor do que estar toda a semana a treinar. Mas, como disse, temos um plantel curto.
R - Mais as viagens…
M - Esse é o maior massacre para nós. Agora vamos a Vila do Conde, depois voltamos para cá e vamos ao Estádio da Luz, e dois dias depois para Guimarães. Isso acaba por ser de um desgaste muito grande, e atrapalha o trabalho. São 7 ou 8 horas de viagem para jogar no dia seguinte e isso prejudica qualquer profissional. A equipa técnica tem um plano elaborado para que não tenhamos um desgaste tão grande.
«O meu irmão precisa de oportunidade»
R - O que pensa o Marcelo Moretto do André Moretto? Isto de ser guarda-redes é de família?
M - O meu irmão é um jovem, que está no Vitória de Setúbal, que sempre me teve como referência. Sempre gostou de jogar futebol. Como eu comecei a jogar muito cedo, ele foi crescendo e optou por ser guarda-redes também. Trouxe-o para Setúbal, onde infelizmente ainda não teve oportunidades, mas é um guarda-redes que tem muito talento e condições para fazer uma grande carreira. Só precisa do mesmo que todos os outros, que é ter oportunidade. Ele subiu pelo Sertanense, voltou para o Vitória, e acredito que ele possa ter uma carreira ainda melhor que a minha.
R - E o Marcelo sempre quis ser guarda-redes?
M - A opção que ficou no fim foi a de guarda-redes. No início queria ser avançado, porque podia falhar 10 golos, mas marcava um e saía como um herói. Sempre gostei de ser guarda-redes e estou feliz por ter feito essa opção.
Siga-nos no Facebook e no Twitter.