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José Dominguez, o artista
«EMIGRANTE» TROCA INGLATERRA PELA ALEMANHA
sexta-feira, 17 novembro de 2000 | 01:33
Autor: JOÃO CARTAXANA
 

SE DOMINGUEZ não conseguiu singrar em Alvalade, nem por isso arrefeceu o interesse de clubes ingleses na sua aquisição. A sua experiência em Birmingham, onde chegou como ilustre desconhecido proveniente de uma equipa portuguesa do escalão secundário, foi de tal forma marcante que um grande clube como o Tottenham o foi contratar depois da sua experiência fracassada no Sporting.


Dominguez deixou um rasto indelével na sua passagem pelo Birmingham, onde se transformou, em curto espaço de tempo, na estrela da equipa e um ídolo dos adeptos locais, nada habituados a ver um jogador "partir os rins" aos defesas adversários com tamanha naturalidade e desfaçatez. Nem o facto de o ter feito na Second Division e na Division One (correspondentes à nossa II Divisão B e II Divisão de Honra, respectivamente) passou despercebido aos grandes clubes da Premier League, que o cobiçavam quando o Sporting, em 1994, investiu algumas centenas de milhares de contos na sua aquisição.


Mas como explicar a sedução dos ingleses pelo pequeno esquerdino português?


Para um ex-treinador de Dominguez os ingleses ficam fascinados com jogadores virtuosos, versáteis, imprevisíveis. Os dotes de malabarista com a bola nos pés, a sua velocidade aliada aos seus dribles estonteantes contrastam com o futebol rectilíneo e estereotipado dos relvados ingleses e fazem as delícias dos espectadores.


A verdade é que o fracasso da passagem de Dominguez pelo Sporting, onde trabalhou com Carlos Queiroz e Octávio Machado, não beliscou o crédito que granjeara em Inglaterra na sua passagem pelo futebol inglês. O Tottenham contratou-o sem cuidar de aprofundar as razões do seu insucesso em Alvalade. A verdade é que os seus índices físicos nunca lhe permitiram potenciar as qualidades extraordinárias que possui.


Um seu ex-treinador detecta o "calcanhar de Aquiles" de Dominguez: "É uma pena ver um jogador com as condições natas que possui passar ao lado de uma carreira que o podia ter levado muito longe. Tem um drible curto demolidor, cruza e chuta bem, é fortíssimo no um contra um, é muito rápido, e desequilibra. Mas para expressar todas as suas potencialidades precisa do suporte de uma boa condição física e para isso é necessário trabalhar no duro diariamente, é preciso ter uma vida compatível com as exigências actuais do futebol de alta competição. E ao Dominguez falta-lhe cultura profissional para poder ser um jogador consistente nos seus índices de rendimento."


Na perspectiva do mesmo técnico, a circunstância de Dominguez ter sido suplente nos últimos anos quer no Sporting quer no Tottenham, frequentemente utilizado na parte final dos jogos, tem a ver justamente com a condição física, que não lhe permite uma resposta eficaz para durar os 90 minutos. "Não é por acaso que entrando nos minutos finais, com os adversários já desgastados, e podendo ele dar uma boa resposta nesse período, pode desequilibrar e ajudar a sua equipa a virar ou a consolidar um resultado" – explica.


Independentemente dos desencontros de Dominguez com os treinadores que estiveram na base da sua contratação – Queiroz no Sporting e Gerry Francis no Tottenham, despedidos meses depois –, a questão que se põe é saber se, aos 26 anos, ainda vai a tempo de alterar o rumo da sua carreira e atingir um plano competitivo de acordo com as potencialidades que se lhe reconhecem.


O ex-internacional alemão, Andreas Brehme, actual treinador do Kaiserslautern, acredita que sim, ao avalizar a sua contratação. Um bom sinal é saber que o próprio jogador tem a noção de que se trata da derradeira oportunidade para o fazer. No fundo, o convite de um clube de "top" do futebol alemão não é mais do que o reconhecimento das suas qualidades, sendo certo que elas, só por si, não são suficientes para vencer no exigente mundo do futebol profissional.


Episódio polémico: Ensinar «nazis» a jogar à bola


Um episódio que gerou, na altura, alguma polémica, com repercussões internas e externas, envolvendo o actual seleccionador António Oliveira e o então jovem promissor José Dominguez, ocorreu a 11 de Outubro de 1995, em Viena, frente à Áustria, em jogo de qualificação para a fase final do Euro-96.


Faltavam dezanove minutos para o jogo acabar e Dominguez, à beira da linha lateral, preparava-se para substituir Domingos enquanto escutava as instruções do seleccionador nos momentos que antecederam a sua estreia com a camisola das quinas na selecção principal. Nada mais banal num jogo de futebol não fora o facto de a RTP ter captado não apenas as imagens desses instantes mas também em alto e bom som as palavras com que Oliveira procurou incentivar Dominguez: "Vais lá para dentro ensinar a esses nazis como é que se joga à bola!!!"


O «puto-maravilha» das escolas da Luz


É opinião consensual entre os técnicos que o dirigiram em fases diferentes da sua carreira: tem (tinha?) tudo para singrar ao mais alto nível no futebol profissional. Nem a sua baixa estatura (1,65 m) constitui obstáculo a essa afirmação, pelo contrário, potencia certas características inatas que fazem dele um jogador especial. O seu baixo centro de gravidade "autoriza-o" a fazer coisas que os outros, mais altos, nunca serão capazes, como as súbitas mudanças de velocidade e direcção num espaço diminuto do relvado, com as quais "parte a espinha" aos defesas mais espadaúdos. Essa aptidão conjugada com uma capacidade técnica e um poder de “drible” incomuns, e, ainda, uma robustez física que a sua frágil aparência escamoteia, cedo atraíram as atenções de técnicos, colegas e público amante do futebol.


Iniciado nas escolas do Benfica, tornou-se rapidamente um pólo de atracção dos adeptos benfiquistas. O contraste que fazia, tão franzino e baixinho, com os outros da sua idade, muito mais calmeirões, era gritante e suscitava curiosidade.


Mas o que impressionava em alguém ainda tão jovem era a habilidade com a bola nos pés, a facilidade de “drible”, o atrevimento com que partia para cima dos adversários com mais três palmos do que ele, a forma como cruzava, a espontaneidade no remate.


As "romarias" à Luz só para o ver jogar espalharam a "notícia": o Benfica tinha um "puto-maravilha" nas escolas e não tardou a suscitar a atenção dos "media". A RTP fez sobre ele uma reportagem, que incluía um filme com a duração de longos minutos, registando uma sequência de jogadas assinadas por Dominguez no Torneio Internacional da Pontinha, onde o seu virtuosismo técnico emergia com tal expressão que impressionou quem viu as imagens.


Mas a sua baixa estatura e aparente fragilidade física suscitaram, também, muitas dúvidas e interrogações, designadamente entre os responsáveis directivos do clube. Estava-se então em plena gerência do ex-presidente João Santos e era opinião interna consensual a necessidade de dotar o jovem talento de mais centímetros e quilogramas para que todo o seu potencial técnico pudesse ter real expressão quando atingisse o escalão sénior. João Santos chegou mesmo a providenciar com esse propósito umas vitaminas da Diese, a sua empresa de produtos dietéticos, para robustecer o jovem Dominguez.


A verdade é que, atingido o patamar do profissionalismo, os responsáveis directivos do futebol do clube, nomeadamente Gaspar Ramos, não acreditaram que pudesse um dia singrar e acabaria por ser emprestado ao Sintrense e mais tarde ao Fafe, onde passou despercebido. Até que, com alguma surpresa, estalou a notícia do interesse do Birmingham, da Second Division (correspondente à nossa actual II Divisão B) para onde se transferiria, num negócio do qual o clube minhoto viria a retirar alguns dividendos depois de obter facilmente a sua desvinculação ao Benfica.


«Baixinhos» famosos


Decididamente, não é pela sua baixa estatura que Dominguez não vai mais longe na carreira. Veja-se o exemplo de jogadores actuais e do passado, nacionais e estrangeiros, pequenos em tamanho e grandes em talento, que granjearam prestígio e chegaram ao topo na sua profissão.


Compare-se a estatura de Dominguez com alguns desses craques: Dominguez (1,65 m); Chalana (1,64 m); Rui Barros (1,59 m); António Simões (1,64 m), Octávio Machado (1,63 m); Simão Sabrosa (1,70 m), João Vieira Pinto (1,71 m); Romário (1,69 m); Roberto Carlos (1,67 m); Zola (1,68 m); Haessler (1,66 m), Giresse (1,63 m) e Maradona (1,68 m).


Os antigos técnicos


Octávio Machado (ex-técnico do Sporting): "Fiquei triste por não ter conseguido dar a volta ao Dominguez porque ele tinha e tem um talento e condições excepcionais para seguir um caminho bem diferente daquele que tomou. Tentei mas não consegui fazer dele um jogador importante para a equipa, enquadrá-lo no colectivo e em proveito de este retirar as suas qualidades inatas. Tentei abrir-lhe novos horizontes, incutir-lhe uma cultura profissional, mas quando um jogador não quer não há nada a fazer. Embora sem atingir o patamar do Paulo Futre, podia ter ido bem longe. Aliás, o Futre é um caso muito gratificante para mim porque contribuí para alterar o rumo que levava e criar condições para que tivesse chegado onde chegou. Oxalá o Dominguez seja feliz e possa agarrar a oportunidade que o Kaiserslautern agora lhe proporcionou, porque não pode continuar a desperdiçá-las como o tem feito até aqui."


Arnaldo Teixeira (ex-técnico das escolas do Benfica): "Tinha uma técnica excepcional, só comparável à de Rui Costa na mesma idade, e um prazer a jogar à bola que perdia a noção do tempo. Chegava a sentar cinco e seis adversários muito mais matulões que ele só com a sua finta curta. Foi sempre acompanhado de perto pelos pais, tal como o Rui Costa, e nunca faltava aos treinos. Apesar de ser pequeno e magro tinha um arranque extraordinário e um remate forte. O ex-presidente João Santos trouxe-lhe umas vitaminas da Diese, e realmente ele deu um salto em termos musculares. Mesmo assim, os directores do futebol do clube achavam-no pequenino e não acreditavam que pudesse ir longe. Ainda me lembro da final do Torneio Internacional da Pontinha, em infantis, frente ao Belenenses, em que ele fez o golo da vitória, de cabeça, entre os centrais que eram o dobro dele, um golo extraordinário que deixou toda a gente estupefacta."


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