Boavista-FC Porto, 0-1: O caçador caçado
CRÓNICA
domingo, 5 agosto de 2001 | 02:16
Autor: JOÃO QUERIDO MANHA
 

O PRIMEIRO embate entre as equipas de Jaime Pacheco e Octávio Machado, dois técnicos da linha dura do futebol português, só podia redundar num jogo viril, macho, duro, trabalhado até à exaustão.


Juntando-lhe condições climatéricas adversas, com muito vento a massacrar físicos ainda pouco resistentes, eram inevitáveis os despiques corpo a corpo, intensos e frequentes, com muitas faltas e pouca ligação no jogo.


A decisão dificilmente seria ditada pelo génio ou pelo colectivo. Se fosse um combate de boxe, era uma daquelas lutas sem tréguas, mas pouco espectaculares, entre colossos de força semelhante, a apostarem no desgaste do opositor.


Assim foi. Ganhou a equipa que se adaptou melhor, beneficiando do vento mais forte no primeiro tempo, inclusive no lance decisivo, um pontapé de canto de Deco que por pouco não entrou directo. Jorge Andrade desviou para dentro da baliza, no meio da confusão instalada por um cruzamento muito difícil para uma pequena área onde faltava pela primeira vez a autoridade do xerife Litos.


O FC Porto nem sequer foi a equipa que mais oportunidades criou, uma vez que no segundo tempo não conseguiu realizar qualquer finalização, mas tinha a consciência de que este não era um jogo para ganhar por ”knock out”, mas apenas “aos pontos”.


Marcado o golo, o trabalho principal consistia em preservar a baliza de Ovchinnikov de jogadas próximas, acautelar as situações frontais em que Sanchez pudesse aplicar o seu pontapé e barrar os “sprints” de Duda.


Tudo foi conseguido sem brilhantismo, mas com mérito. O Boavista foi forçado a tentar os remates de longe, mas o empate nunca esteve iminente. Com a alteração táctica proposta esta época por Octávio, de jogar com dois médios na zona central, em vez de apenas um como nos tempos de Fernando Santos, os acessos frontais à área portista ficam muito congestionados, com os dois defesas centrais muito protegidos pela barreira constituída por Paredes e Soderstrom a empurrar os adversários para as faixas laterais.


E como aqui surgem agora outros dois jogadores intratáveis (Mário Silva e Ibarra, melhor o português que o argentino) onde antes havia alguma permissividade (Secretário e Esquerdinha), fácil é concluir que a organização defensiva do FC Porto deve voltar este ano a ser uma fortaleza, um atributo fundamental.


Acautelem-se já os puristas: a coisa não é bonita, mas promete ser eficaz. Ontem, os laboriosos médios do Boavista nunca foram além de dois passes consecutivos: ao terceiro, a jogada estava morta, o caminho barrado, a bola transviada. Se nos recordarmos de muitas importantes vitórias do Boavista na época anterior, é como se o FC Porto estivesse a reeditar um “remake” da velha fábula do caçador caçado.


Pacheco não arrisca


Uma vez que o jogo foi muito condicionado pela forte ventania, entende-se que na primeira parte o Boavista só tenha conseguido rematar pela primeira vez aos 36 minutos num livre de Sanchez e que na segunda o FC Porto não tenha efectuado nenhum remate – estatísticas que não abonam um futebol que se pretende ofensivo e espectacular.


Ontem, porém, a nortada inclinou o Estádio dos Arcos para Sul e as forças dos jogadores, nesta fase, não dão para mais – e convém não esquecer o malabarismo de gestão que o FC Porto tem de fazer por causa do calendário sobrecarregado até meados de Setembro.


Já desfalcado do seu implacável recuperador de bolas (Petit fora expulso nas Antas na última jornada), o Boavista teve também o azar do jogo, perdendo Martelinho à beira do intervalo e, depois, Jorge Silva. Quando o central se viu forçado a sair, a menos de um quarto de hora do final, seria de esperar um rasgo de Jaime Pacheco, mas não houve qualquer alteração significativa do dispositivo táctico, para lá do adiantamento de Pedro Santos relativamente a Glauber.


No ano passado, teria entrado Whelliton para um derradeiro assalto, mas o brasileiro já não mora no Bessa e, em boa verdade, desconhece-se se as características de Márcio são semelhantes. Para cúmulo (e castigo...) Frechaut acabou por ser expulso e o Boavista atirou a toalha.


MARTINS DOS SANTOS tenta passar agora uma imagem de segurança disciplinar que não casa com o seu estilo e acabou por parecer permissivo
.
Com as armas da vítima


O FC Porto serviu-se de uma das principais armas do Boavista, o recurso à falta, a luta denodada pela posse da bola e a marcação do ritmo. Pela primeira vez na última dezena de confrontos entre as duas grandes equipas do Porto, os dragões foram mais faltosos que as panteras. Bem mais faltosos, note-se bem, pois esta partida foi a que registou mais interrupções desde há muito.


Ao todo foram 62 faltas (mais seis foras-de-jogo), 37 das quais cometidas pelo FC Porto. Como balanço da dureza do encontro, três jogadores (Martelinho, Jorge Silva e Deco) tiveram de ser substituídos devido a lesões, mas apenas uma expulsão, de Frechaut, foi ditada por Martins dos Santos, que esteve um pouco mais permissivo que em anos passados.


Houve alguns despiques rasgados (Jorge Costa e Silva faiscaram, Glauber e Clayton aqueceram), nervos à flor da pele, mas não se pode dizer que a indisciplina tenha campeado.


A maior parte das interrupções verificou-se a meio-campo. O lateral Mário Silva, antigo jogador do Boavista, cometeu cinco faltas, tal como os centro-campistas Deco, Soderstrom e Clayton. Em contrapartida, os defesas-centrais fizeram apenas três (Jorge Costa uma e Jorge Andrade duas).


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Benfica19761019-4
V. Guimarães17852115-7
FC Porto15743010-3
Sporting13734013-4
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