Formar jogadores para depois os ver sair por milhões tem sempre dois lados que devem ser avaliados. É esta pelo menos a visão de Nuno Gomes, diretor da Caixa Futebol Campus, que não esconde que gostaria de ver um dos 'bons filhos' do Benfica a regressar a casa.

"Gostava muito de ver o Bernardo Silva [a alinhar no Monaco] hoje a jogar no Benfica. E espero que no futuro isso possa acontecer. O mesmo se aplica a Renato Sanches [Bayern Munique]. Por um lado, há o orgulho de conseguirmos produzir um jogador com o nosso ADN e que está a conseguir fazer uma carreira de sucesso lá fora. Mas ao mesmo tempo gostávamos de os ver aqui. É um misto de sentimentos diferentes", afirmou ao "Diário de Notícias".

"As propostas são tentadoras e muitas irrecusáveis", assume
E esclareceu, assumindo não haver qualquer diretriz para "tentar manter" os jovens talentos: "O problema é que a lei do mercado obriga a que muitas vezes os jogadores passem pouco tempo connosco. Não é um situação nova. O jogador português chega a uma determinada altura em que os clubes detentores do passe não conseguem competir com os gigantes europeus. As propostas são tentadoras e muitas irrecusáveis. O cenário ideal seria aguentar o máximo de tempo possível esses jovens. E a ideia passa por tentarmos conseguir isso. Mas há propostas irrecusáveis. Já no meu tempo de jogador essa situação se colocava. Os clubes portugueses não conseguem competir financeiramente com as grandes potências".

«Ser presidente? Sinto-me bem onde estou»
Com Luís Filipe Vieira a concorrer para um novo mandato na presidência do Benfica, Nuno Gomes garante que não é lugar que "cobice".

"Não tenho essa ambição. Não faço planos a médio ou longo prazo até porque não sabemos o dia de amanhã. Mas sinceramente não tenho essa ambição e sinto-me bem onde estou. Já representei o Benfica noutras funções, hoje estou noutras, amanhã posso mudar. Sinto-me realizado por estar a trabalhar no Benfica seja em que função for", afirmou.


Autor: Sofia Lobato