- O que é o caso dos vouchers?
- O assunto foi colocado na ordem do dia por Bruno de Carvalho, que, durante o programa 'Prolongamento', da TVI24, a 5 de outubro do ano passado, revelou que o Benfica oferecia a todos os árbitros, delegados e observadores que iam aos jogos das águias em casa (incluindo da equipa B), um 'kit' de cortesia com a oferta de uma camisola de Eusébio e de quatro jantares no restaurante Museu da Cerveja. "Só em jantares, por ano, deve rondar 140 mil euros. Em prendas, deve rondar um quarto de milhão de euros", acusou.

- Como reagiu o Benfica a essa acusação?
- O Benfica confirmou que dava essas prendas a árbitros, delegados e observadores, mas garantiu que os jantares tinham um limite de 35 euros por pessoa e eram limitados a pratos do dia.

- E os árbitros?

- Confirmaram que o kit lhes era entregue na Luz mas todos eles garantiram que nunca recorreram aos jantares.

- O que fizeram FPF e Liga perante a denúncia?

- A Federação pediu abertura de um inquérito ao Ministério Público, enquanto a Liga fez o mesmo ao Conselho de Disciplina, que remeteu a investigação para a Comissão de Instrução e Inquéritos (CII).

- Quem foi ouvido no inquérito da CII?

- Bruno de Carvalho e Luís Filipe Vieira prestaram declarações em novembro. Observadores, delegados e os árbitros também responderam sobre o assunto, sendo que estes últimos (no total de 180) disseram todos o mesmo: que recebiam prendas do Benfica como de todos os outros clubes e que nunca nenhum sentiu que era uma tentativa de aliciamento.

- Qual foi a decisão da Justiça desportiva?

- A CII decidiu arquivar o processo a 27 de de janeiro, levando a recursos de Sporting e Benfica. Os leões pretendiam castigo para o rival; as águias queriam que Bruno de Carvalho fosse punido por lesão da honra e reputação. A 22 de março, o Conselho de Disciplina (CD) confirmou o arquivamento, sucedendo-se novo recurso de ambos os clubes para o pleno do CD. A 1 de junho, era confirmado novo arquivamento para ambas as queixas. Foi a última ação no âmbito da justiça da Federação.

- O processo ficou aqui encerrado?

- Não. Ainda durante o mês de junho, tanto águias como leões recorreram ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD). As queixas mantêm-se: o Sporting não se conforma que o caso dos vouchers não tenha resultado em castigo para o Benfica; as águias defendem que Bruno de Carvalho deve ser punido por lesão da honra e reputação do clube.

Autor: Sérgio Krithinas