José Gomes, o jovem campeão europeu sub-17, entrou em campo para disputar os derradeiros oito minutos do Benfica-Sp. Braga e a audiência irrompeu num aplauso generalizado. A vitória significava a liderança das águias na Liga e o lançamento por Rui Vitória de mais um produto da formação recebia a aprovação dos adeptos. Tratava-se do sexto jogador abaixo dos 23 anos incluído no onze do Benfica.

Frente aos bracarenses, o treinador escolheu cinco titulares situados abaixo dessa fasquia etária: Nélson Semedo, Lindelöf e Grimaldo, na defesa; André Horta no meio-campo; e Gonçalo Guedes no ataque. Aos quais se juntou então, aos 82’, José Gomes.

Já na 1ª jornada da Liga dos Campeões, o Benfica tinha apresentado uma equipa com a média de idades de 23 anos, com a inclusão do argentino Cervi entre os titulares. Na segunda-feira, essa média subiu para 25 anos, mas ainda assim o onze escolhido por Rui Vitória foi o mais jovem, na comparação com os líderes das cinco principais ligas europeias, o chamado grupo das ‘Big Five’.


Record comparou os titulares do Benfica que atingiram o 1º lugar da Liga com as equipas apresentadas pelos líderes das ‘Big Five’ na última jornada e o que mais se aproximou foi o Monaco, do português Leonardo Jardim, com a média de idades de 25,8 anos e a inclusão de quatro jogadores abaixo dos 23 anos – menos um do que o Benfica. Seguiu-se o Bayern Munique, de Renato Sanches, com 26,5 anos; o Nápoles, com 26,7; o Real Madrid, com 27; e o Manchester City, líder em Inglaterra e o mais envelhecido, com 27,7.

O peso das lesões

O rejuvenescimento estrutural da equipa do Benfica, aliado à aposta no produto da academia, tem, no entanto, também muito de conjuntural, o que não foi ignorado no discurso de Rui Vitória, após o jogo com o Sp. Braga.

"Houve um conjunto de acasos, porque são mesmo acasos. Aconteceu tudo ao mesmo tempo. Se vos contar como aconteceram algumas destas lesões, ficamos todos bem admirados, pois era quase impossível acontecer. Mas isto vai passar, naturalmente. Hei de ter muitos jogadores e deixá-los de fora, com muita pena, porque a qualidade é muita e vou ter de deixar jogadores de qualidade fora. Isso é o que magoa mais."

Um dos principais atingidos pelas consequências que a recuperação dos jogadores lesionados implicará é precisamente o mais jovem titular do Benfica a enfrentar o Sp. Braga: Gonçalo Guedes – que só no final de novembro completa 20 anos, já depois de André Horta. Com Jonas em pleno, é certo que Guedes retornará à condição de reserva.

Lançados 13 em duas épocas

Rui Vitória deu seguimento à mudança estratégica que a sua contratação implicou com a utilização de oito jogadores jovens logo na primeira época: o guarda-redes Ederson; os defesas Nélson Semedo, Clésio Baúque e Grimaldo; o médio Renato Sanches; e os atacantes Nuno Santos, Jovic e Victor Andrade. Em 2016/17, o treinador do Benfica recorreu aos jovens André Horta, Celis, Cervi, Rafa e José Gomes, mas tem ainda à espera de uma oportunidade o defesa central Kalaica, o médio Danilo e o avançado Zivkovic.

Supera onze-tipo de Jesus por pouco

Considerando a média de idades no início da temporada, o onze-tipo de 2016/17 supera, em juventude e por uma unha negra, o de 2010/11, segunda época de Jorge Jesus ao leme dos encarnados. A média do tricampeão é de 24,8, ao passo que a de 2010/11 era de 24,9. David Luiz (23), Coentrão (22), Javi García (23), Salvio (20) e Gaitán (22) eram os sub-23 dessa equipa. Não havia elementos tão jovens como agora, mas também não havia ninguém acima dos 30. Luisão, como 29, era o mais velho. A ausência de Jonas favoreceu o rejuvenescimento da equipa. Grimaldo destronou Eliseu (32) na lateral esquerda.

Todos os miúdos lançados por Rui Vitória no Benfica

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Autores: António Varela e Nuno Martins