Quando, há um ano e meio, se mudou para o FC Porto – na altura campeão europeu – Raul Meireles esperaria uma afirmação bem mais célere do que aquela que efectivamente veio a ter. O facto é que só agora o médio conseguiu ser presença regular no onze portista, algo que nunca sucedera de forma consecutiva até ao ciclo de três jogos que já soma como primeira opção de Co Adriaanse.
Revelação do Boavista em 2003/04, mudou-se para o Dragão após uma época em que participou também nos Jogos Olímpicos de Atenas. Todavia, os primeiros tempos não corresponderam ao esperado. Víctor Fernández nunca o viu como real opção para a sua equipa, tendo utilizado o médio em escassos cinco jogos, todos a partir do banco de suplentes.
Com José Couceiro veio uma era mais promissora para o ex-boavisteiro, que conheceu pela primeira vez a condição de titular há quase um ano: no Restelo, a 20 de Fevereiro de 2005. Todavia, nem essa aparição foi bastante para que Raul Meireles se afirmasse como opção credível para o miolo – apenas alinhou de início em mais dois encontros até ao final da temporada.
Primeira opção
Após uma época de estreia que não correspondeu às expectativas, o nome do centro-campista foi um dos mais falados quando o tema era a lista de dispensas de Co Adriaanse. Nada parecia indicar que o novo técnico lhe desse maior tempo de utilização do que os antecessores, mas a pré-temporada correu a favor de Meireles.
Com Ibson a fraquejar na luta por um posto que lhe parecia destinado, Raul Meireles começou a surgir como o trinco do 4x3x3 portista, assumindo-se como peça fulcral tanto nas transições ofensivas – que se queriam rápidas e a privilegiar o passe longo para as diagonais dos extremos – como na recuperação da bola em zonas avançadas.
Azar
Com boas prestações na fase que antecedeu o início da competição oficial, o camisola 16 foi titular na recepção ao Estrela da Amadora, logo na ronda inaugural. Todavia, uma lesão no joelho direito impediu-o de dar sequência nas jornadas seguintes. Mais do que isso, as suas características deixaram de ser vistas como indicadas para a posição de médio mais recuado. A derrota frente ao Benfica fez Adriaanse optar por uma unidade com mais raça na protecção ao quarteto defensivo: Paulo Assunção.
De tal modo que, quando Meireles regressou à 9.ª jornada, já o brasileiro se tinha imposto como titular. E com Lucho de pedra e cal, restava um posto para o organizador. Contas onde o ex-boavisteiro não entrava até que o esquema se alterou. Prescindindo de um médio mais ofensivo, o treinador reabriu as portas a Raul Meireles.
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