Comparar o "velho" Veloso com o filho é um curiosíssimo exercício que mostra a gigantesca diferença que no futebol vai de uma geração de jogadores a outra.
Veloso (o pai), sem ser um génio, era um jogador com talento, esforçado e humilde.
Um dia falhou um penálti numa final da Taça dos Campeões e muitos benfiquistas nunca mais lhe perdoaram. Lembro-me de dizer a um adepto que exigia o seu afastamento: "Se o Veloso sair, não arranjam ninguém melhor para o lugar dele". Essa "maldição" confirmou-se: durante anos o Benfica não voltou a ter um defesa-direito à altura.
Miguel Veloso, o filho, pertence a outro tempo. A um tempo em que muitos futebolistas já não são só futebolistas - são também vedetas do jet-set, aparecem nas revistas, servem de modelos em campanhas publicitárias, desfilam na passerelle. O Real Madrid foi pioneiro nesta moda de contratar jogadores com base também no seu mediatismo - e Figo, Beckham, Zidane, etc. protagonizaram um período que terminaria com resultados desportivos ruinosos.
Mas os futebolistas nunca mais deixaram de se sentir como potenciais modelos. Basta ver os penteados com trancinhas, cristas e madeixas em todas as direções. Miguel Veloso, de cabelo cuidadosamente despenteado, corresponde a este arquétipo.
Só que o mediatismo exagerado gera na cabeça dos jovens grandes descompensações. Ao sentirem-se objeto de super-atenção, começam a viver uma existência irreal, fazem exigências incomportáveis.
Assim, entre o velho e o novo Veloso, eu escolheria o velho. Apesar do penálti falhado, sempre foi um valor seguro. E o novo, com tantos holofotes à volta, pode perder-se a meio da carreira.
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