Sérgio Paulinho, vice-campeão olímpico de fundo em Atenas'2004, prometeu esta quarta-feira trabalhar para a RadioShack, na sua quarta Volta a França, mas atribui o favoritismo final a Alberto Contador (Saxo Bank) e a Andy Schleck (Leopard-Trek).
"Vamos ter um Tour tão renhido como o ano passado. Se o Andy Schleck não tivesse o problema que teve, tinha chegado com o mesmo tempo [de Contador]. Tudo vai depender da recuperação que o Alberto vai ter do Giro, porque foi muito duro, e a alta montanha no Tour também vai ser muito dura, porque os Pirenéus e os Alpes são praticamente seguidos, mas penso que os principais favoritos são o Contador e o Andy Schleck", explicou Sérgio Paulinho, em entrevista à agência Lusa.
Para o corredor português, de 31 anos, a presença do vencedor do Tour em 2007, 2008 e 2009, que só foi confirmada com o adiamento da análise do recurso da UCI à absolvição da federação espanhola, "só vai dar ainda mais valor à Volta à França e ao ciclismo", corrigindo parcialmente "uma injustiça grande" para o seu antigo companheiro de equipa, entre 2007 e 2009.
Paulinho, que em 2010 se tornou no quarto português a vencer uma etapa da "Grande Boucle", reitera que as suas prioridades passam pelo trabalho para as "boas referências da equipa", sublinhando que "o Janez Brajkovic, o Chris Horner, o Levi Leipheimer e o Andreas Kloden podem fazer um pódio ou terminar entre os dez primeiros".
"Tudo depende, o ano passado, na etapa de Gap, o Armstrong já estava bastante arredado da luta pela vitória na Volta a França e isso deu-nos outras possibilidades de entrar em fugas. Este ano, tudo vai depender disso, se ainda tivermos um ou dois líderes a lutar pela vitória final vai ser muito difícil, porque muito raramente os outros têm ordens para entrar em fugas", reconheceu.
No entanto, na próxima chegada a Gap, a 19 de julho, Paulinho não exclui essa possibilidade. "Se nessa altura nenhum líder estiver a lutar pela vitória final, aí o objetivo da equipa já poderá passar por tentar vencer etapas. Nunca se sabe se este ano poderei estar outra vez numa fuga para tentar ganhar", sublinhou.
Com o abandono do fundador da equipa e recordista de vitórias no Tour, Lance Armstrong (sete), Paulinho, que foi gregário do norte-americano em 2009 e 2010, admite que a prova, que vai ser disputada de 2 a 24 de julho, vai ser "diferente".
"O Armstrong era um ciclista mítico, era um ciclista que dava uma visibilidade diferente e criava mais responsabilidades à equipa", admitiu Paulinho, acrescentando que os quatro potenciais chefes de fila vão fazer com que a edição de 2011 seja "um Tour muito difícil".
Paulinho, que esteve presente na apresentação da programação do canal televisivo Eurosport para a 98.ª edição do Tour, será o único representante português na RadioShack de Tiago Machado, Manuel Cardoso e Nélson Oliveira e do "timoneiro" José Azevedo, mas ainda espera a companhia de Rui Costa (Movistar).
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