Lucílio Batista apita final da Taça de Portugal
CAMPOMAIORENSE-BEIRA MAR
sexta-feira, 4 junho de 1999 | 01:06
 

A TEMPO e horas e logo que foram conhecidos os nomes dos finalistas da edição 98-99 da Taça de Portugal, Pinto de Sousa anunciou o nome do respectivo árbitro desse jogo, fazendo-o de forma resoluta e sem o recurso a quaisquer bolinhas da sorte (ou do azar?), com o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e seus pares a concederem o seu voto de confiança a Lucílio Baptista, o filho do antigo e respeitado árbitro, Cortês Baptista, para ser o juiz de campo de um Campomaiorense-Beira Mar, que surge como uma final inédita no historial da nossa Taça, com a particularidade de o vencedor ter garantido o "passaporte" para a Taça UEFA, o que, a acontecer com os aveirenses, corresponderá ao pormenor curioso de uma equipa lusa estar, simultaneamente, na Europa e no Nacional da II Divisão de Honra.


Conhecidos os nomes do árbitro (Lucílio Baptista) e dos respectivos assistentes -- João Esteves e Luís Salgado --, Record dispôs-se a marcar encontro com o "trio" da final, no renovado Estádio Nacional, onde o cinzentão das suas bancadas deu lugar a um cenário bem diferente, correspondente à colocação de 38 mil cadeiras, ao mesmo tempo que um sofisticado sistema de iluminação irá permitir aí a realização de jogos nocturnos.


Para Lucílio Baptista, natural de Lisboa, mas desde menino e moço a residir em Almada, bancário de profissão, "a honra de arbitrar a final da Taça de Portugal excede largamente qualquer prémio pecuniário que me possa vir a ser dado. Sei que essa verba é de 62 mil escudos, mas nem o dobro ou mesmo o triplo pagavam a felicidade que me invadiu, logo que soube, por Record, que o senhor Pinto de Sousa havia divulgado a minha nomeação para esta final da Taça de Portugal".


À QUARTA É DE VEZ


Enquanto observa o "novo" Estádio Nacional, com a colocação de nada menos de 38 mil cadeiras brancas a conferirem um novo visual àquele que pretende voltar a ser conhecido como a sala de visitas do futebol português, Lucílio Baptista não deixa de recordar:


"Sabe que já estive três vezes como quarto árbitro noutras tantas edições de finais da Taça de Portugal e sempre pensei que algum dia teria a minha grande ‘chance’ de dirigir um jogo tão especial como é este? Arbitrar uma final da Taça é sempre um sonho lindo que qualquer um deseja concretizar, mesmo sabendo de antemão que se torna difícil consegui-lo, até porque estão em equação vários e importantes aspectos."


-- Se o Vitória de Setúbal tivesse sido apurado para a final da Taça de Portugal, tal como chegou a parecer possível, já o Lucílio Baptista não teria tantas hipóteses?


--Sim, isso é verdade. Certamente se tal tem acontecido seria outro colega a dirigir a final e eu continuaria a manter a minha esperança de um dia poder estar aqui na condição de árbitro principal, depois de ter sido suplente do Veiga Trigo, em 1993, num Benfica-Boavista (5-2), de Bento Marques, em 1995, num Sporting-Marítimo (2-0) e de Vítor Pereira, em 1996, num Benfica-Sporting (3-1).


-- Uma final de triste memória, culminada com a morte de um adepto do Sporting?


-- Sim, uma coisa verdadeiramente horrível que a todos nós acabou por afectar. Uma situação bem dramática que jamais desejo ver repetida e que ainda hoje deve estar a pesar, e muito, nas consciências dos seus autores.


O futebol, muito especialmente uma final da Taça de Portugal, deve, acima de tudo, corresponder a uma autêntica festa e nunca a manifestações de violência ou mesmo à descarga de ódios, seja qual for a sua natureza. Torna-se até, verdadeiramente urgente, que os responsáveis pelo futebol em Portugal colocam um ponto final nestas e noutras cenas bem chocantes. O que se passou naquela final da Taça, entre o Benfica e o Sporting, jamais se poderá repetir, não só no nosso país como em qualquer outro lado.


-- Esta final da Taça entre o Campomaiorense e o Beira Mar exibe vários aspectos inéditos e há quem a classifique como a final dos pobres ou dos menos dotados. Concorda com isso?


-- De forma nenhuma. Trata-se, acima de tudo, de uma final entre duas equipas que merecem o maior respeito de quem quer que seja, uma e outra estão firmemente dispostas a lutar pela conquista de um troféu deveras apetecido, como é a Taça de Portugal. Para mim e para as pessoas que estão perfeitamente identificadas com o futebol, esta final tem a mesma importância, caso se tratasse de um jogo entre o FC Porto e o Benfica, ou entre o Sporting e o FC Porto, ou mesmo um Sporting-Benfica, pois, quer o Beira Mar quer o Campomaiorense percorreram um difícil caminho até chegarem ao Jamor e ao jogo decisivo. E, muito sinceramente, estou plenamente convencido de que tudo irá correr da melhor forma e, qualquer que seja o vencedor, haverá festa até ao fim, no Estádio Nacional.


O TAL BEIRA MAR-FC PORTO


Ao mesmo tempo que contempla o excelente tapete verdejante do Estádio Nacional e enquanto lhe dizemos: "Sabe que um grande árbitro português, o António Garrido, nunca dirigiu qualquer jogo no Estádio Nacional, pois em duas finais da Taça esteve, respectivamente, em Alvalade e nas Antas?", Lucílio Baptista adianta:


-- Ainda acerca desta final, deixe-lhe que lhe refira que o simples facto de estarem muito directamente envolvidas neste jogo uma equipa de uma grande cidade, como é o caso de Aveiro, e toda a região envolvente e o pormenor do outro finalista pertencer ao Alentejo, conferem, desde logo ao desafio importantes atractivos.


-- O que também constitui um aliciante, até para o árbitro. Verdade?


-- Até certo ponto sim, pois o árbitro faz parte do próprio jogo, jamais podendo ser dissociado dos bons e dos maus momentos desse mesmo desafio.


-- Algo curiosamente, o Lucílio Baptista não dirigiu, esta época, nenhum dos dois jogos onde o Beira Mar e o Campomaioremse se defrontaram, o que também terá pesado nesta sua nomeação para a final, mas, em contrapartida, o seu nome esteve em foco, muito especialmente pelas críticas de Pinto da Costa, quase logo no início do Nacional, por algumas das suas decisões num Beira Mar- FC Porto?


-- Na realidade, não arbitrei qualquer dos jogos entre o Campomaiorense e o Beira Mar, mas fi-lo no tal Beira Mar-FC Porto, no Sporting-Campomaiorense e no Campomaiorense-FC Porto. Quanto ao desafio de Aveiro, entre o Beira Mar e o FC Porto, não me custa mesmo nada afirmar que o jogo não me correu como eu tanto gostaria. Todos nós temos dias em que as coisas não nos correm de feição, na grande maioria das vezes aqui e ali por falta de sorte. Sucede a qualquer um, ter-me-á também acontecido mim e serei até o primeiro a lamentar certas coisas.


-- Quase a seguir a esse jogo de Aveiro surgiu-lhe uma lesão, logo num curso de árbitros da UEFA, realizado no Algarve?


-- No decurso de teste físico, contraí uma lesão algo grave, uma roptura na coxa, o que me impediu não só de concluir a respectiva prova, que se integrava nas exigências da UEFA, como me forçou a um mês de inactividade, logo numa altura em que abundavam por essa Europa fora os jogos das respectivas competições europeias. Mesmo assim ainda fui nomeado para o Glasgon Rangers-Bayer Leverkusen, oitavos-definal da Taça UEFA e, agora, para o Dinamarca-Bielorrússia, para o Campeonato da Europa.


Internacional desde 1995-96, Lucílio Baptista contará na final da Taça de Portugal com a colaboração de João Esteves e de Luís Salgado, com o árbitro de Setúbal a referir" que um e outro oferecem-me a garantia de uma leal e excelente colaboração, até porque integramos um trio de verdadeiros amigos, o que se torna deveras importante quer na vida quer, sobretudo, numa equipa de arbitragem"


João Esteves, árbitro assistente dos quadros da FIFA, natural de Castro Daire, mas há muito radicado no Barreiro, fez equipa com Carlos Valente, "alinhando", depois, com Lucílio Baptista, quando o "mundialista" abandonou, e Luís Salgado, que nasceu em Setúbal, mas reside, também, no Barreiro, igualmente foi auxiliar de Valente, fazendo, a seguir, equipa com Lucílio Baptista, que não se cansa de referir: "Por favor não chamem a este jogo a final dos pobres, pois qualquer das equipas é bem rica em dignidade e, em termos de futebol, não deixarão de dar o seu precioso contributo para uma tarde de autêntica festa."


Lucílio Baptista, o homem do apito desta final tão "sui generis", da Taça de Portugal, entre o Campomaiorense e o Beira Mar, com o bancário, que é árbitro, a desejar futebol e correcção, na sua estreia no derradeiro jogo da competição.


JOGOS DO MUNDIAL 98 E DO EUROPEU 2000


Promovido à categoria de internacional, na temporada de 1995-96, Lucílio Baptista tem visto a UEFA e a respectiva Comissão de Arbitragem distinguir da melhor forma a sua já inegável categoria, tal como o atestam as respectivas nomeações para jogos organizados pelo organismo máximo do futebol do Velho Continente.


Assim, na época de 96-97, o juiz de campo de Setúbal começou por estar presente na fase final do Campeonato da Europa de sub-16, realizado na Áustria, aí dirigindo os jogos Alemanha-Grécia (1-0) e Eslováquia-Turquia (1-0), seguindo-se uma curiosa série de encontros, onde ressalta um desafio entre selecções A, a contar para a fase de qualificação para o Mundial de 98, o Bulgária-França.


Estas as restantes actuações internacionais de Lucílio Baptista na temporada de 96-97:


-- Taça Intertoto -- Karlsrvhe (Alemanha)-Universidade Craiova (Roménia), 1-0; Campeonato da Europa de sub-18, Eslováquia- Macedónia, 1-0; Mundial de França (fase de qualificação), Bulgária- Luxemburgo, 4-0; Europeu de sub-21-França-Finlândia, 2-1. Época de 97-98:


-- Taça UEFA -- BirkirKara (Moldávia)-Spartak Trnava (Eslováquia), 1-2; Gorica (Eslovénia)-Brugge (Bélgica), 3-5; Metz (França)-Mouscron (Bélgica), 4-1.


-- Taça das Taças -- Roda (Holanda)-Primorge (Eslovénia), 4-0.


-- Europeu de sub-21 -- Holanda-Turquia, 3-0.


-- Mundial de França (fase de qualificação), Lituânia-Macedónia, 1-0. Época de 98-99.


-- Taça UEFA -- Ecleren (Bélgica)-Saravejo (Bósnia), 3-1; Kilmarach (Escócia)-Olomovel (Rep. Checa), 1-2; Vitesse (Holanda)-EK (Grécia), 3-1 e Glasgow Rangers (Escócia)-Bayer Leverkussen (Alemanha), 1-1.


-- Campeonato da Europa -- Dinamarca-Bielorrússia, entre selecções A, a 4 de Junho.


OITAVO ÁRBITRO DE SETÚBAL A DIRIGIR FINAL DA TAÇA


Só doze anos depois de Carlos Valente ter arbitrado uma final da Taça de Portugal, entre o Benfica e o Sporting, outro juiz de campo de Setúbal surge a dirigir o derradeiro jogo, para atribuição do tão cobiçado troféu, com Lucílio Baptista a cotar-se como o oitavo homem do apito de Setúbal a estar presente naquela que continua a ser considerada como a grande festa do futebol português.


Curiosamente, a primeira edição da Taça, ganha pela Académica de Coimbra, ante o Benfica, foi dirigida por um setubalense (António Palhinhas).


Estes os árbitros da CA de Setúbal chamados até agora a dirigir a final da Taça de Portugal:


1938-39 Académica, 4-Benfica, 3 António Palhinhas


1947-48 Sporting, 3-Belenenses, 1 Libertino Domingues


1952-53 Benfica, 5-FC Porto, 0 Evaristo Santos


1968-69 Benfica, 2-Académica, 1 Ismael Baltasar


1970-71 Sporting, 4-Benfica, 1 Francisco Lobo


1971-72 Benfica, 3-Sporting, 2 Francisco Lobo


1981-82 Sporting, 4-Sp. Braga, 0 Raul Nazaré


1984-85 Benfica, 3-Sporting, 1 Raul Nazaré


1986-87 Benfica, 2-Sporting, 1 Carlos Valente


Tal como se verifica, Francisco Lobo e Raul Nazaré "bisaram", enquanto, por sua vez, o lisboeta Vítor Correia continua a deter o maior número (4) de presenças como árbitro na final da Taça de Portugal.


CARLOS ARSÉNIO


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V. Guimarães14742114-7
Sporting13734013-4
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P. Ferreira1173228-7
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13ºArouca772144-10
14ºBoavista772144-13
15ºEstoril6713310-15
16ºNacional571245-9
17ºPenafiel471153-13
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