José Couceiro teceu ontem fortes críticas ao presidente cessante do Sporting, Godinho Lopes, acusando-o de querer “fugir às suas responsabilidades e lavar as mãos como Pilatos”, ao defender que o seu mandato acaba logo após as eleições do dia 23. “Não pode abandonar de um dia para o outro, como se não fosse cada com ele”, insistiu o candidato líder da Lista C, falando no Núcleo dos Leões de Azeitão.
Estádio mal planeado
As críticas de Couceiro a Godinho Lopes estenderam-se à própria construção do Estádio José Alvalade.
“O estádio foi mal planeado e quem o fez não tinha qualquer noção do que é o Sporting. Quando se faz um estádio novo sem pavilhão, obrigando à dispersão das modalidades por outros espaços, dividindo os adeptos, é porque não conhece a alma do Sporting, não respeita o seu ecletismo. Foi um mau projeto, que custou caro ao clube”, acrescentou José Couceiro.
Mas as críticas ao ainda presidente estenderam-se às notícias mais recentes da renovação dos contratos de vários dos jovens da equipa B, os quais terminavam em 2014.
“Isso só mostra desconhecimento do que é a realidade do futebol. Essas renovações já deviam ter sido tratadas há muito mais tempo”, sublinhou o candidato à presidência.
Anos negros
No diálogo com os sócios de Azeitão, José Couceiro também se referiu de forma crítica à gestão da Academia em anos recentes.
“Os anos de 2007 e 2008 foram anos negros da formação. Gastou-se como nunca em contratações para o futebol jovem. OSporting tinha um padrão, tinha ideias que temos de retomar. Revolta-me que a Academia tenha sido tratada dessa forma. O que fizeram foi destruir a linha de produção”, sublinhou Couceiro.
A uma insistência dos presentes, o candidato disse que o responsável da altura “era o Carlos, que já lá não está”, numa clara referência a Carlos Freitas. No mesmo sentido foi o esclarecimento de Diogo Matos, há muito ligado à Academia e membro das listas de José Couceiro. “Nesses dois anos gastou-se quase 100 vezes mais do que em todos os outros anos de existência da Academia de Alcochete.”
SAD sem maioria. José Couceiro abordou ainda um tema sensível: a manutenção ou não da maioria do capital da SAD.
“Depois de ter estudado todo o processo, tenho de levar esta proposta aos sócios, que se pronunciarão em assembleia geral. Não é inevitável, mas acredito que há condições para o Sporting deixar de ter a maioria no capital da SAD. O fundamental é o clube manter o seuADN e o investidor perceber isso. OFCPorto é o único dos três grandes que já não detém a maioria do capital da sua SAD, mas é o clube com mais títulos nos últimos 20 anos.”
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