A UEFA deu o primeiro grande passo rumo à regularização, e moderação, financeira do futebol europeu com um extenso relatório que diagnostica a saúde económica dos clubes, com uma análise que junta as contas de 732 emblemas das 53 filiadas.
Incidindo nas contas relativas à época de 2008/2009, a UEFA construiu a rampa de lançamento para o projeto do fair-play financeiro, que entrará em vigor dentro de três temporadas e será arquitetado por uma comissão presidida por Jean-Luc Dehanene, primeiro ministro belga entre 1992 e 1999 e atual deputado europeu.
Elaborado com dados fornecidos pelos clubes "sob anonimato", como esclareceu à Lusa fonte da UEFA, Portugal contribuiu com a participação de nove clubes, entre eles "os três grandes", Benfica, FC Porto e Sporting.
Em traços gerais, a UEFA deseja estabilizar um mercado que começa a gastar mais do que os proveitos e que permitiu, ainda no último defeso, bater o recorde de transferências, quando o português Cristiano Ronaldo trocou o Manchester United pelo Real Madrid por 94 milhões de euros, verba que escandalizou o presidente da UEFA, Michel Platini.
Na apresentação deste relatório, a UEFA admite que revolucionar os critérios financeiros de admissão dos clubes às competições europeias "é um grande desafio", que precisa de ser "adaptado com tempo", fixando-se a temporada de 2012/1013 como ponto de partida.
Em traços gerais, a meta da UEFA é a transparência, reforçando a import?ncia do licenciamento dos clubes, com critérios objetivos de regulação, e permitir que as associações filiadas e ligas correspondentes possam adaptar a estrutura financeira ao perfil real dos clubes.
Na época 2008/2009, o futebol europeu (contando apenas inquéritos a clubes que militam nos escalões principais dos respetivos países) gerou 11,5 mil milhões de euros, verba que não cobre os 12,1 mil milhões de despesas.
Mesmo com a grave crise financeira que assolou o mundo em inícios de 2008, o futebol europeu conseguiu subir em 10,6 por cento as receitas comparativamente à época 2007/2008, mas também aumentou a despesa em 11,1 por cento.
No total, o futebol europeu vale em ativos 20 mil milhões de euros, somando um passivo de 18,2 mil milhões. Em salários, gastou-se em 2008/2009 7,1 mil milhões de euros, mais 18,1 por cento do que na época anterior.
Em transferências, uma das temáticas que mais alimenta os defesos, gastaram-se 550 milhões de euros, 17 por cento deste valor canalizado para Cristiano Ronaldo. Só em Inglaterra e Espanha, transacionaram-se 385 milhões em jogadores (70 por cento do total).
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